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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Aconteceu que eu estava no ponto de ônibus do Parque Dom Pedro, no centro de São Paulo. Um rapaz, aparentemente cego, aproximou-se de mim com sua bengala e falou em voz alta: - Quem está aí? Quem pode me ajudar? Mais que depressa, dispus-me. - Qual é o problema? O cego queria apenas uma informação. Ele estava com uma carta dentro de um envelope e queria saber se eu poderia colocar no correio para ele. Quando vi o endereço, notei que era na rua de cima. Muito próxima ao ponto onde eu estava. O cego espantou-se com a proximidade do local e me explicou que a carta era para o seu irmão e agradeceria muito se eu levasse até ele pessoalmente. Perguntei se ele queria que eu o conduzisse até la, o rapaz não quis. Quando terminávamos nossa conversa, fomos abordados por um policial. O rapaz, ao ouvir a voz da autoridade, largou a bengala e saiu correndo. Ele não era cego. Contei ao policial a estranha história e ele me disse que várias pessoas que foram vistas na companhia desse falso cego, haviam desaparecido. Mostrei o endereço ao policial e ele resolveu verificar junto com algum reforço. Perguntei se podia ir e ele permitiu. O endereço era uma casa. Entramos e, pela bagunça, os ocupantes haviam saído depressa, talvez avisados pelo falso cego. Vasculhamos o local e não havia nada de especial, exceto por um frigorífico que funcionava nos fundos. Os policiais impediram minha entrada no frigorífico e interditaram imediatamente o local. Soube que aquele local fornecia carne para vários açougues da cidade de São Paulo. E que a iguaria era de origem HUMANA! Tenho o envelope do cego até hoje. Dia desses, por curiosidade, resolvi abri-lo. Dentro, um bilhete simples dizia: "Este é o último para o abate que lhe envio hoje. Amanhã mando mais."