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domingo, 18 de setembro de 2016

Os 3 Conselhos

     Thiago era um jovem de 18 anos e cheio de sonhos, ele morava no interior de São Paulo,  passou muitos anos da sua vida perdido e sem saber pra que rumo seguir, não que não soubesse o que queria, ou não tivesse força de vontade, pelo contrário, Thiago era muito corajoso e sabia que tinha muita força e disposição dentro de si, só não tinha encontrado seu norte verdadeiro, então sua vida ia se arrastando dia após dia.    Ele acordava, tomava seu café, ia trabalhar e repetia isso todos os dias.
    Nos finais de semana, ele gastava seu pouco dinheiro pra beber muita cerveja para poder fugir da realidade que o assombrava toda semana, já não sabia mais o que fazer, pensou até em suicídio, mas certamente não teria coragem para isso.
    Certa noite, ele já deitado em sua cama, contemplando a sua existência e com um ar de que aquela seria uma daquelas noites longas e chatas, ele sai de casa no meio da noite para comprar um cigarro numa vendinha por ai.   Isso é a versão que ele conta para si mesmo, mas no fundo, sabia que, sair de madrugada sempre era algo legal, e por que? Porque era arriscado, perigoso e ele tinha medo, mas fazer isso, o fazia se sentir vivo, como se fosse bem mais corajoso, por fazer algo que as pessoas jamais fariam, como sair caminhando de madrugada a noite a esmo.
   Foi andando, virando ruas e mais ruas, esperando acontecer algo ou encontrar algo.
 Ele andou um longo período, porém nada aconteceu, estava muito frio e estava começando a se achar irresponsável por ter feito aquilo, "o que eu tenho na cabeça?" pensava ele, agora torcendo para que logo estivesse de volta na sua cama e pudesse pensar em tudo isso.
    De longe avistou uma vendinha, uma pequena lojinha de conveniências muito suspeita, lá pra frente, as luzes anunciavam que estava aberto.   Chegando lá, antes de chegar ao balcão ele ficou olhando o que tinha pra comprar e só tinham salgadinhos, bebidas e coisas do gênero, mas tinha algo ali que também chamou a sua atenção.  Era a garota mais linda que ele tinha visto em sua vida,  mal conseguia se portar direito, ela tinha cabelos pretos, tinha quase a mesma altura que ele, e parecia um tanto excêntrica, vestia roupas simples mas as combinava de um jeito que ficava um tanto esquisito, ainda sim os olhos de Thiago estavam brilhando.   Quando a garota percebeu que ele estava encarando com a boca aberta, ela sorriu pra ele, porém meio sem saber o que fazer o garoto tratou de ir ao balcão pedir o cigarro e sumir dali.
    - O senhor por acaso tem Marlboro Vermelho? Disse Thiago num tom meio apressado.
    - Olha garoto, cigarro acabou por hoje, eu tenho um ultimo masso aqui, na verdade é o meu eu posso te da-lo ou posso lhe dar 3 conselhos, o que você prefere? Disse o balconista que deveria ter uns 50 anos de idade e certamento teria fugido de algum manicômio.
    O que será que aquele homem estava querendo dizer? de qualquer modo, Thiago ficou muito instigado a saber o que se tratava aqueles conselhos.
   - Bom, eu acho que vou querer os 3 conselhos. Declarou Thiago.
   - Boa escolha! então vamos lá: Numero 1- Não dê esmolas! Numero 2 - Não pegue atalhos e Numero 3 - Não seja curioso, além disso, pegue essa sacola e abra na sua casa. Com a expressão bem séria no rosto, como se estivesse dizendo, pegue e vá embora eu não estou de brincadeira, o homem deu uma sacola com um pacote dentro embrulhado num saco de pão.
    O garoto pegou logo o saco, esbarrou na garota, pediu desculpas então foi embora.
Ele foi andando, e se deu conta de que a lojinha em que ele decidiu comprar cigarros ficava realmente longe, ele não lembrava muito bem o caminho de volta, mesmo assim, foi andando na esperança de que a sua intuição tivesse certa.     - O senhor pode me dar um real por favor? para eu poder comprar algo pra eu comer?   Disse um homem com as roupas sujas e aparência melancólica que surgira do nada da escuridão.
    - Não moço, não tenho nada, desculpe.  Respondeu Thiago, e saiu andando.   Com os passos apressados e sentindo um ar frio em seu corpo, Thiago pode ouvir de longe o mesmo rapaz perguntando a outra pessoa a mesma coisa que perguntou á ele, então ouviu diálogos que anunciavam um assalto a pessoa atrás, logo ele tratou de se apressar.
   Thiago começou a se perguntar, o que estava acontecendo, por que motivos aquele rapaz que ele nem conhecia lhe deu aqueles conselhos? talvez ele conhecesse o assaltante, não? claro só podia ser isso, mas e os outros?   No mesmo momento, uma viatura da policia, parou e com o farol na cara dele perguntou o que ele estava fazendo, se sentindo melhor agora o garoto franzino, com a voz insegura disse que estava apenas indo embora, os policiais perguntaram onde é que ele morava, e quando ele respondeu, um deles disse que ele tinha pego o caminho errado, que ele estava entrando num bairro perigoso, orientou Thiago o caminho certo então foram embora.
    Thiago ficou muito confuso, ele tinha certeza que estava no caminho certo, quer dizer, nem tanta certeza assim agora,  ficou completamente perdido, mas então resolveu seguir o conselho do homem da lojinha, e não escutou os policiais, continuou andando pelo caminho que ele se lembrava de ter vindo.
    Ele seguiu, sem dar ouvido aos policiais e subiu uma rua que vagamente se lembrava de ter passado, a cidade estava escura, mas áquilo fazia aquele garoto se sentir de um modo diferente, talvez você que está lendo não entenda, mas para quem não tem um objetivo, qualquer caminho serve, e aquele garoto estava caminhando por uma rua deserta, pensando na sua vida, nas coisas que levaram ele ali, ouvindo o zumbido do vento, sua pele arrepiada, seus dentes batendo, sua respiração ofegante mas tudo que ele pensava era que ele estava longe de todas as pessoas agora, que amanhã de dia eles mal sonhariam que ele fez algo do tipo, por mais que ele fosse desinibido e cheio de particularidades, a sua vida seria um espetáculo que ninguém jamais conheceria.   De repente Thiago ouviu gritos, eles estavam vindo de uma viela,  parou e pensou em ajudar, eram gritos aterrorizadores de várias pessoas e crianças mas lembrando do conselho do homem de não ser curioso, decidiu não dar bola e seguiu em frente, depois de mais uns 20 minutos de caminhada, viu a rua da sua casa, saiu correndo e do nada decidiu que queria berrar, deu um grito pulou e abriu os braços, sim estava chovendo e quando ele estava a menos de 100 metros da sua casa,  tudo o que ele estava fazendo era gargalhar e andar bem devagar agora.   Abriu o portão da sua casa entrou sem ninguém ouvir, tirou sua roupa molhada, colocou no banheiro e se deitou.
     No dia seguinte, Thiago acordou e pensou: Puxa, que sonho mais louco.
    No entanto, ao se levantar, notou que tinha um embrulho no seu criado mudo, ele pegou o embrulho e percebeu que não tinha sonhado, agora que já tinha chegado em casa, decidiu abrir o embrulho.
  Dentro dele, tinha um papel e um maço de cigarros!!!  No papel dizia: A garota se chama Michele, ela é sua vizinha!
No mesmo instante, alguém bateu palma no portão de sua casa, como estava sozinho teve que atender, então botou logo uma bermuda e saiu pra fora.   Quando chegou no portão, quase morreu de susto, ou seria, felicidade?    Era ela, a Michele, estava batendo palma na sua casa, ela sabia quem ele era.    -Você esqueceu sua carteira Thiago, lá na lojinha ontem. Disse a garota abrindo um sorriso fofo e encantador.  
   - Ah sim! Obrigado, mas como você sabe meu nome?     Perguntou ele, num tom desconfiado
   -Bom, a minha mãe conhece a sua mãe, ou sou filha da Dona Veronica, ali da frente, você provavelmente não deve ter me visto por que eu não sou de sair de casa, ao menos não de dia.
   - ahh sim, bom ok e obrigado novamente, nem sei como agradecer... Thiago já estava começando a ficar vermelho.


   - Pra falar a verdade eu vi você indo embora e fiquei com medo, tem uns caras que usam uma viatura por ali, eles sempre dizem pra pessoa pegar um caminho, a pessoa vai e nunca mais aparece, já sumiram umas 4 pessoas esse ano, sabe é meio perigoso essas bandas.
   - Você está brincando né? disse Thiago já ficando meio assustado.
   - Bom eu tenho umas coisas a fazer, a gente se fala, qualquer coisa me grita. Disse Michele, despedindo-se, meio apressada
Claro que depois de ouvir tudo isso o garoto já estava sendo tomado por um turbilhão de sentimentos, como medo, o frenesi de saber que escapou da morte e de um assalto na mesma noite e também de saber que aquela garota linda mora perto dele e o pior, pelo visto ela estava no maior interesse.
   Já era quase 11 horas da manhã, então Thiago decidiu fazer o almoço e ligou o rádio, entre uma musica e outra tinham noticias da cidade e uma delas era que um Pai tinha surtado e amarrado a sua família, e tinha matado todos, inclusive os vizinhos que tentavam se aproximar para ajudar, ele estava armado com uma espingarda calibre 12mm, mais de 9 pessoas morreram, incluindo duas crianças.