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sábado, 23 de setembro de 2017

Formol nos Lábios

Boa noite, caro leitor! Já estava mais que na hora, de contar para vocês está história que com certeza, já ouviram falar por ai, claro que a história verdadeira acaba se perdendo, em meio a centenas de versões. Hoje eu vou contar para vocês a história de Rafael.

Rafael era um jovem garoto que vivia na cidade de São Paulo no ano de 1948, um ano muito confuso, em que morria o escrito Monteiro Lobato, as perseguições aos partidos comunistas estavam começando e tudo estava se encaminhando a um caos, em meio a esse caos, vivia esse garoto que trabalhava como datilógrafo na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, foi muito difícil conseguir esse emprego, considerando seu modo de vida, já que, ele não é o que podemos chamar de jovem comum, na verdade ele tem diversos hábitos peculiares e dentro desse ninho de coisas estranhas que ele gosta, existia um universo inteiro de coisas que ele talvez fosse amar dar a chave a alguém que fosse conseguir enxergar seu mundo, um cofre cheio de pérolas como musicas, filmes, artistas, historias, lugares e todas essas coisas que compunham sua vida.

Ele talvez fosse mesmo bem esquisitão, mas na verdade, tinha mesmo um olhar minucioso do mundo, enxergava beleza em formas que as pessoas nem sequer reparavam, de certa forma isso o tornava único, e ao mesmo tempo, solitário. Claro que no nosso mundo dos meros mortais, Rafael se sentiu logo entediado, deslocado. Indo aos mesmos lugares, vendo as mesmas pessoas, bebendo as mesmas bebidas, se irritando pelos mesmos infortúnios. Não se engane, se pensa que a sua vida era vazia, talvez ele só estivesse cheio de sentir enraizado ali naqueles mesmos hábitos de sempre.

Até que começou a ir em umas festas bem peculiares, uma comunidade fechada de mentes abertas, com pessoas de todo tipo que você talvez nem possa imaginar. Esse garoto se identificou com aquele lugar e com aquelas pessoas, então começou ir em todos os lugares que haviam desses encontros. Numa certa noite, ele estava dançando, tomando um drink e um garoto se aproximou dele, era um menino nada comum. Ele usava umas roupas de modo meio largado, sem se importar muito com isso na verdade, a sua aparência não revelava a sua idade e o seu ar era de uma pessoa ingênua, mas agradável, até fútil ou pura talvez e era muito inteligente. O que ele estava fazendo ali? Pra começo de conversa, num lugar cheio de gente estranha, alguém fora desse padrão acaba sendo o "estranho".

Mas de comum esse garoto não tinha nada, Rafael começou a conversar com ele, ter um papo muito bom, conversa vai e conversa vem, eles se olharam nos olhos e começaram a se beijar e o beijo dele era de um garoto que parecia que tinha vindo de outro planeta, envolvente mas visivelmente inexperiente.

Ele ficou muito interessado nesse menino misterioso, e quase aceitou seu convite para ir na casa dele, acabou só pegando o telefone e indo pra sua casa depois de "dar um perdido" no garoto no meio da festa.

 No dia seguinte, Rafael amanheceu com a boca seriamente afetada, cheia de feridas, claro, preocupado com isso foi ao médico. No consultório médico, Rafael estava achando o comportamento do médico um tanto estranho ao analisa-lo, por conta disso, resolveu contar a verdade, talvez fosse melhor, contou então que ele beijou no dia anterior um menino que ele não conhecia e que estava com medo que fosse uma DST, o médico pediu um momento para ele e saiu da sua sala, disse a ele não sair dali.

Quase 50 minutos depois, chegou um agente da ABI(Agencia Brasileira de Inteligencia). eles levaram Rafael ate um prédio, aparentemente da policia e disseram que queriam fazer algumas perguntas.

"Onde conheceu esse sujeito?" "Qual sua aparência?" "Vocês costumam sempre se ver?"

Rafael explicou tudo o que eles queriam, e disse ainda que tinha o telefone do rapaz, mas ele queria saber o que tinha acontecido pois já estava muito nervoso sem saber o que estava acontecendo.

ele estava com muito medo de ser preso, pois já havia confessado seu comportamento homossexual. Os policiais explicaram a ele, que em sua boca foi identificada, pelo médico, uma substancia usada na conservação de cadáveres e que isso era muito sério, não era um tipo de produto que se encontrava por ai, e ele teve sorte de seu corpo expressar uma reação alérgica.

Combinado com a policia, Rafael marcou um encontro com esse rapaz de nome Fernando, naturalmente que Rafael jamais iria desprotegido na casa desse rapaz, era tudo uma farça.

 Eles marcaram de se encontrar na casa do rapaz as 23:00, o cerco foi armado pela policia, porém ao chegar na casa do suspeito na hora marcada, a casa estava revirada, cheia de papeis e não havia mais ninguém em casa, no chão haviam fotografias, de meninos bonitos e jovens, na parede uma foto do Rafael espetada com uma agulha, na foto tinha um coração desenhado com tinta vermelha em volta do seu rosto. Em uma averiguação mais detalhada, a polícia encontrou dois corpos no quarto do Fernando, com o mesmo produto de conservação que teria provocado a alergia do Rafael, em outro cômodo da casa, também tinha uma menina também morta e nua, com as mesmas condições de conservação, logo a polícia chegou a conclusão, naturalmente, após exames foi comprovado que os corpos haviam sofrido violência sexual, Fernando era necrófilo e Rafael provavelmente seria sua próxima vítima.

Claro, ainda muito perturbado para ficar em casa e dar quaisquer explicações do caso para sua família, decidiu ir trabalhar no dia seguinte na faculdade, no seu trabalho, havia uma moça, ela se chamava Cordélia, ele nao ia muito com a cara dela pois ela sempre fazia "carões" quando ele passava, mas como trabalhavam juntos na mesma função, decidiu contar sua história para ela naquele dia, claro, nada melhor do que esvaziar a sua mente do que contar uma história dessas para uma pessoa desconhecida. A menina se mostrou estranhamente compreensiva, eles conversaram um bocado naquele dia, e ate decidiram tomar um café numa praça proxima a avenida 9 de julho.

Claro que mesmo a moça sendo de família, os dois ficaram embriagados, e decidiram dar uma volta pelas ruas até a sua casa que era ali perto, pois ela havia insistido que precisava contar um segredo, mesmo desconfiado, a-acompanhou, já que nada desse mundo talvez pudesse ser mais estranho do que aquele terrível Fernando.

Ela contou sobre como sua família era rígida, que morava com seus pais e seu irmão, eles estavam se programando para viajar em breve, mas segundo ela, era certeza que não poderia ir, quando perguntou o motivo, a garota simplesmente fez silencio.

chegando próximo a casa da moça, Cordélia de repente diz:

- Se esconda naquela árvore, próxima ao poço, chame a policia, ele deve pagar pelo que fez, ou eu jamais poderei descansar. -Do que você está falando Cordélia? Perguntou Rafael muito surpreso e desconfiado.

Para a surpresa desse pobre rapaz, chega um jovem rapaz na casa, que era o irmão da jovem Cordélia, esse mesmo rapaz, era nada mais, nada menos que o necrófilo que ele tinha conhecido.

Muito assustado para lidar com aquilo, resolveu ligar para o policial com quem ele havia feito amizade, sua sorte é que ele conseguiu sair do esconderijo de maneira sorrateira e ir até um orelhao, para poder ligar para o policial.

Não deu outra, o jovem Fernando na verdade se chamava Paulo Ferreira , e Rafael já o conhecia, ele era professor na USP, mesma universidade onde trabalhava. A policia chegou, claro nao no mesmo dia, foram no dia seguinte e após vários interrogatórios descobriram que o rapaz era sim necrófilo, mas algo não estava batendo nesta história.

Onde estavam os pais do rapaz? a jovem Cordélia também, desaparecera sem deixar pistas, não apareceu para trabalhar no dia seguinte, quando Rafael perguntou por ela, seus colegas disseram que ja não a viam fazia mais de um mês.

Perguntas e questões que logo foram respondidas. Descobriram que Paulo havia construído um poço no quintal da casa no final de outubro, apenas um mês atrás, alegando que montaria uma fábrica de adubos e que a água encanada não serviria para o desenvolvimento de seu trabalho. Também coletaram informações na Universidade São Paulo sobre o comportamento do suspeito, comportamento esse que só aumentou a desconfiança dos policiais. Além de professor, Paulo Ferreira era assistente, no laboratório de Química da USP, do Dr. Hoffman que mencionou alguns questionamentos estranhos feitos por ele como a sua curiosidade sobre quais seriam os melhores agentes químicos para corroer um cadáver.

No mesmo dia os policiais foram até a casa do suspeito e após revistá-la interrogaram-no sobre o poço. Paulo foi com os policiais até o local que a princípio não apresentava irregularidades. Os policiais chamaram o Corpo de Bombeiros e solicitaram que o escavassem e qual foi a surpresa ao encontrarem os corpos das três vítimas de cabeça para baixo, pois foram jogados, e com as cabeças envoltos em panos pretos e os braços amarrados.

Enquanto os policiais escavavam o poço, Paulo Ferreira disse que iria ao banheiro. As portas externas da casa estavam sendo vigiadas por policiais. Paulo com livre acesso ao interior da casa pegou sua arma e cometeu suicídio.

Pelo que a perícia apurou, o crime foi perpetrado em duas etapas. Primeiro, entre 9h e 10h do dia 4 de novembro, o assassino matou a mãe e a irmã mais velha, Maria Antonieta, na sala de casa, e arrastou os corpos até o quintal dos fundos. A terceira vítima, Cordélia, que trabalhava como datilógrafa na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, foi executada por volta do meio-dia, quando chegava em casa para almoçar.

Claro que Rafael jamais conseguiu contar essa história a mais ninguém, e também parou de tentar desafiar a vida ao pensar que: "Ahh nada de mais bizarro pode acontecer comigo"